quarta-feira, 25 de novembro de 2015

NA CONTRAMÃO DO CONSUMISMO


Os primeiros cristãos “vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam o dinheiro entre todos, conforme a necessidade de cada um” (At 2,45).

Queridos irmãos: estamos no fim do ano! Quem diria que 2015 passaria tão rápido! Pois é, mas passou e estamos às portas de 2016. Estamos iniciando o tempo do Advento e, daqui a pouco, celebraremos as festas de Natal e Ano Novo. Durante todo o ano temos muitas datas nas quais a troca de presentes é uma realidade entre várias pessoas. Mas parece que essa prática ganha muito mais força com a chegada do Natal. Com bom senso, trata-se de algo saudável. Presentear, manifestando estima ou gratidão, é louvável. Faz bem para quem doa e para quem recebe. Nas compras natalinas é preciso atenção para não cair na tentação do consumismo.
Às vésperas do Natal o comércio fica hiperativo. Realmente, milhões de pessoas dependem dos empregos temporários criados e do aporte extra de capital devido ao décimo terceiro salário. Entretanto, a data que marca para os cristãos o nascimento de Jesus não pode ser reduzida apenas a um período de consumo desenfreado.
Em 30 de dezembro de 1987, em comemoração ao vigésimo aniversário da Encíclica Populorum Progressio sobre o Progresso dos Povos, o Papa João Paulo II publicou a Carta Encíclica Sollicitudo Rei Socialis sobre a Solicitude Social, na qual já alertava que o desenvolvimento econômico não pode se reduzir ao acúmulo de bens, pois a “excessiva disponibilidade de todo o gênero de bens materiais em favor de algumas camadas sociais, torna facilmente os homens escravos da ‘posse’ e do gozo imediato, sem outro horizonte que não seja a multiplicação ou a substituição contínua das coisas que já se possuem por outras ainda mais perfeitas” (n. 28b).
No cristianismo somos estimulados a um desapego material baseado na partilha fraterna e justa. O uso dos bens materiais sob a ótica da caridade e da fraternidade é ensinada por Jesus aos seus discípulos. Podemos citar o exemplo de Jesus que, seguindo todos os preceitos divinos, perguntou ao jovem rico o que ainda lhe faltava para alcançar o Reino do Céu: “Jesus, fitando-o, com amor, lhe disse: ‘Só te falta uma coisa: vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me’” (Mc 10,21).
As primeiras comunidades cristãs procuraram viver este ensinamento: “Entre eles ninguém passava necessidade, pois aqueles que possuíam terras ou casas as vendiam, traziam o dinheiro e o depositavam aos pés dos apóstolos. Depois, era distribuído conforme a necessidade de cada um” (At 4,34-35).
Irmãos e irmãs: temos em nossa Diocese diversas entidades beneficentes cuidando dos necessitados. Colaborar com elas é uma oportunidade para vivermos um Natal mais solidário, rompendo a barreira do egoísmo e a tentação do consumismo. Esta é a nossa missão: fazer-nos verdadeiramente irmãos e irmãs dos pequeninos do Reino.

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